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ESCOs: um mercado na rota da expansão

Categoria: Eficiência Energética

Empresas de conservação de energia se reinventam e buscam parcerias para aproveitar oportunidades de negócios. Estimativa é que receita do segmento chegue a R$ 800 milhões em 2008.
 
Carolina Medeiros, para o Procel Info

Seja nos jornais, na internet ou na televisão, a eficiência energética vem tomando conta dos noticiários e caindo no cotidiano das pessoas. Hoje, a eficiência energética não está mais tão associada ao racionamento de energia e as empresas começam a perceber os benefícios que ela pode trazer para os negócios, com a redução das contas de eletricidade. Essa percepção fica mais em evidência quando voltada para o mercado das Empresas de Conservação de Energia (ESCOs), que, nos últimos anos, entrou na rota de crescimento no Brasil. Responsáveis, muitas vezes, por auditorias energéticas e projetos voltados para a economia de energia, as ESCOs viram na expansão do mercado a oportunidade para se consolidar no país.

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia (Abesco) mostram que, no ano passado, houve um crescimento no setor em torno de 23%. De acordo com a diretora-executiva da associação, Maria Cecília Amaral, esse crescimento aconteceu principalmente devido ao aumento dos custos da energia e das questões voltadas para as mudanças climáticas. "A eficiência energética está, atualmente, muito atrelada ao aquecimento global e às mudanças climáticas. Os empresários estão percebendo que a eficiência é a única forma de compatibilizar a necessidade de crescimento do mundo com a sustentabilidade", comenta diretora da Abesco.

Segundo ela, em 2007 o mercado de ESCOs faturou cerca de R$ 650 milhões e a previsão é em 2008 esse montante chegue a R$ 800 milhões. Para que as ESCOs possam atender cada vez mais as necessidades do mercado, elas estão passando, segundo Maria Cecília, por um processo de readaptação. "As ESCOs estão investindo mais em capacitação empresarial, contratando pessoal voltado para as áreas técnica, jurídica e comercial", conta. Além disso, de acordo com a executiva, essas empresas estão formando parcerias com outras ESCOs para oferecer ao cliente o melhor projeto de engenharia.
 
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A parte de regulação também parece caminhar para estimular novas ações neste mercado. O Ministério de Minas e Energia (MME), por exemplo, divulgou neste mês de agosto a abertura de inscrições para editais de dois trabalhos que vão subsidiar estudos voltados para a área de eficiência energética. O primeiro estudo vai tratar de mecanismos de contratação de serviço de conservação de energia e da revisão do marco legal, o que na visão de Maria Cecília, da Abesco, é excelente. "O foco desse estudo é poder viabilizar os contratos de eficiênica energética para prédios públicos", explica. Ela contou que, atualmente, é muito difícil adaptar o contrato de performance para prédios públicos, devido à lei de licitações e também porque, com a redução do consumo de energia, as provisões de receita para aquela edificação no ano seguinte passam a ser menor.

"Se um prédio público gasta R$ 100 mil por mês na conta de luz e, aplicando projetos de eficiência energética passa a gastar R$ 40 mil, a receita dele no ano seguinte para o pagamento de faturas de energia elétrica será de R$ 40 mil por mês, o que inviabiliza o contrato de performance", exemplifica a diretora da Abesco, acrescentando que o desperdício de energia nessas edificações chega a 45%. O segundo estudo vai abordar o desenvolvimento da estrutura para o processo de monitoramento e verificação nos projetos de eficiência energética no Brasil. "Esse segundo estudo também será importante porque viabilizará a entrada da eficiência energética, como uma usina virtual, nos planos de energia do governo", ressalta Maria Cecília, acrescentando que é importante que saibamos seguramente com qual percentual de eficiência energética poderemos contar no planejamento energético do país.
 





 

 


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